Sandra Bertocini: quando temos alma grande, coração sereno, raiva adormecida, foco e ego pequeno conquistamos o que queremos

quarta-feira, 7 de março de 2018

Mulher, mãe, profissional, professora, pesquisadora, mestre e empresária. Várias qualificações para uma só pessoa: esta é Sandra Regina Bertocini, uma conhecida professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – agora aposentada – nascida no interior de São Paulo, mas que deixou sua marca na formação de engenheiros e no desenvolvimento da construção civil em Campo Grande.

É com esta tecnóloga, formada há 33, e mestre em construção civil que iniciamos nossa série de entrevistas para comemorar o Dia da Mulher.

sandra bertocini

Como foi a sua opção por seguir uma carreira (construção civil) onde a maioria dos profissionais é do sexo masculino?
SB – No meu colegial cursei Patologia Clínica e não passei no primeiro vestibular que prestei para Farmácia. Fui trabalhar na Enersul e lá encontrei uma pessoa, o sr. Ivandi, que me disse: “por que não vai estudar Tecnologia em eletrotécnica e, assim usaria aqui? Fui fazer, mas já na primeira aula de eletricidade não gostei. Mudei de curso, fui para construção civil e me apaixonei, principalmente pelas as aulas de materiais, onde tive os melhores professores: Hélio Bais Martins, Dary Werneck da Costa e Odilar Costa Rondon , minhas grande inspirações. E veja só, todos homens!

Qual sua avaliação sobre a participação da mulher no mercado da engenharia?
SB – Atualmente forte, estamos muito empoderadas e fazemos a diferença em vários setores, principalmente no controle de qualidade, pois somos muito detalhistas.

Você sempre teve muitas ocupações: as aulas na universidade, organizando eventos, as pesquisas. Como foi a sua trajetória? Foi difícil conciliar tudo?
SB – Verdade, fiz muitas coisas ao mesmo tempo: dona de casa, cuidar dos filhos, as pesquisas, as aulas, os eventos e tenho certeza que dei conta, pois tudo que fiz eu dei o melhor de mim. Depois dos meus filhos criados eu foquei na minha profissão e todos os dias penso em aprender.

Recentemente você se aposentou e embarcou em uma viagem para comemorar 10 anos de formatura de uma turma de Engenheiros Civis. Como você tem sido esta nova fase da sua vida?
SB – No início dos primeiros meses foi um pouco preocupante, até ganhei alguns quilos. Mas agora, depois de quase um ano, estou totalmente adaptada. Como tenho uma empresa, todo o dia tenho novas atividades. Dava a impressão que estava faltando alguma coisa!
Recomeçar depois de 30 anos de trabalho com horário marcado está sendo muito bom; faço meu horário e estou cuidando da minha saúde, fazendo Yoga, academia, viajando, me divertindo e participando – me atualizando de eventos na área de engenharia civil.
A viagem para Cacun foi um dos melhores presentes da minha vida. Pude encontrar depois de 10 anos, os meus primeiros alunos de obras de pré-moldado, onde fui nome de turma. Emoção única e sentimento de dever cumprido.

Como avalia a luta das mulheres pela valorização e igualdade?
SB – O empoderamento da mulher deve ser entendido como uma conquista e todas podem conseguir isso. A valorização vem se você trabalhar com muito amor e dedicação, ela chega sem você perceber.
Igualdade é uma palavra muitas vezes destorcida. O que entendo sobre isso é que a mulher pode fazer muitas atividades na construção civil onde não apresenta diferença entre gêneros, pois cada um tem seu papel, somos ativas, detalhistas, organizadas, parceiras, etc.
Digo que quando temos alma grande, coração sereno, raiva adormecida, foco e ego pequeno conquistamos o que queremos.