Priscilla Castilhos: a Agronomia não é profissão, é uma paixão que vou ter por toda a vida

quinta-feira, 8 de março de 2018

Agronomia é mais uma das profissões culturalmente definidas como masculinas, e não é difícil entender o motivo. Para isto basta imaginar o condicionamento físico necessário para o trabalho no campo, que envolve grandes máquinas e volumes e ainda é sempre acompanhado de alterações climáticas, como o sol quente, chuvas e frio. Não haveria mulher disposta a encarar o desafio; este era o pensamento até bem pouco tempo atrás.08ab26c7-fc21-4a9a-833f-018351e34c86

Talvez este tenha sido o motivo para que um considerável número de engenheiras agrônomas fizesse carreira na área acadêmica ou de pesquisas em instituições públicas e privadas. A realidade já não é esta. Elas agora colaboram com os pais e os maridos à frente de suas propriedades, comercializam produção, estão atentas ao mercado financeiro e ainda cuidam da casa e da família.  No mercado formal, ocupam postos estratégicos em grande multinacionais e em operadoras de commodities. É  que o advento da tecnologia é fator que colabora para que a profissão seja cada vez mais ocupada pelas mulheres.

Em Mato Grosso do Sul, onde o agronegócio é o motor da economia, os engenheiros agrônomos são 3.287 profissionais, destes, apenas 562 são mulheres, a maioria delas de jovens mulheres. Este é o caso de Priscilla Rodrigues Castilhos, 29 anos. Formada em Agronomia em 2010, pela Uniderp, é também pós-graduada em Gestão Ambiental. Empresária, a engenheira agrônoma dedica-se, desde o início de sua carreira, ao manejo e nutrição animal. Com sua própria consultoria, ele presta serviços em propriedades em Mato Grosso do Sul e no Rio Grande do Sul e ainda é professora de um curso técnico em Agropecuária e tutora do Senar.

Você teve influência de sua família na escolha de sua profissão?
Priscilla Castilhos – Tive influência familiar, ainda que indiretamente, já que toda a família do meu pai trabalha com equinos, no Rio Grande do Sul. Essa paixão já vem de gerações. Mas penso que a opção pela Agronomia se deu pela possiblidade da atuação que ela me daria no mercado de trabalho, já que como Engenheira Agrônoma também poderia trabalhar com pecuária.

Como você avalia a participação da mulher nas profissões ligadas ao agronegócio? Você acredita que exista alguma limitação que impeça a mulher de ter tanto sucesso como o homem, por exemplo?

As mulheres estão entrando cada vez mais no agro, tomando mais pulso à frente das propriedades e empresas relacionadas e não têm limitação de questão de climática. Acredito que mulher é até mais resistente.

Ainda tem um preconceito porque acham que mulher não tem a mesma força ou a mesma capacidade que o homem. Ela está crescendo neste meio, lutando e buscando seu espaço, mostrando seu diferencial e como em qualquer outra área, mulher não entra para brincar, ela entra para fazer um serviço sério e isso está dando bastante visibilidade para a mulher no agro.

Como vc avalia a busca das mulheres por seu empoderamento e sua luta pela valorização e igualdade?
PC – As mulheres do agro estão se unindo cada vez mais e mostrando para o mercado que temos a mesma competência e em alguns casos, até maior que os homens, então essa busca pela valorização está surgindo no mercado.

A gente tem um cuidado tão especial com cada coisa que a gente trabalha, a gente tem uma organização diferente, um planejamento diferente, uma visão diferente, então isso faz com que todas as mulheres, de todos os ramos, consiga esse empoderamento. E essa luta, essa batalha deve ser vencida todo dia. Então a mulher do agro, como qualquer outra, é mãe, é filha, é esposa, está ali cuidado da casa, está cuidando do campo.

O que você planeja, profissionalmente, para o seu futuro?
PC – O que eu espero é um pouco mais de respeito. Engenheiro agrônomo não trabalha só com lavoura, mas com pecuária também. Às mulheres do agro desejo muito sucesso e muito poder feminino no campo, isso vai fazer muita diferença. Como o agro já faz no nosso PIB nacional, e com as mulheres cuidando disso, à frente disso, vai ter muito mais a superar e crescer.

Busco sempre estudar, adquirir novos conhecimentos, estar envolvida com gente, trabalhando com o que eu realmente gosto. Não quero deixar de fazer o que amo; a Agronomia não é profissão, é uma paixão que eu vou ter por toda a vida.