Notícias Terça-feira, 8 de junho de 2021

Entrevista: Vânia Mello será a primeira mulher a presidir o Crea-MS

Vânia Mello é engenheira agrimensora, especialista em Geociências, mestre em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional e, a partir de 2021, será a primeira mulher a presidir o Crea Mato Grosso do Sul desde que foi criado, há 41 anos. O Crea Sul-Mato-Grossense tem 14.755 profissionais registrados, sendo 3.053 mulheres, 20% do total. 
Natural de Bela Vista, residente em Campo Grande, desde 1992 atua como engenheira agrimensora na Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer/Semagro), órgão em que ocupou o cargo de chefe do Setor de Cartografia. No Sistema, representou  a engenharia de Agrimensura de MS na Coordenação Nacional de Câmaras Especializadas da Modalidade de Agrimensura do Confea.  No Crea-MS, já foi diretora-administrativa e conselheira por seis mandatos. Atualmente é diretora-geral da Mútua-MS, onde também já esteve à frente da diretoria-financeira.

Conheça um pouco mais sobre as ideias da primeira mulher eleita para presidir o Crea-MS: 

1)    Site: A senhora acredita que esse crescimento da representação feminina no Sistema já é fruto do Programa Mulher?

Vânia Mello
 – Formar lideranças é importante para o desenvolvimento de qualquer nação, sejam líderes homens ou mulheres. Entretanto, os homens sempre foram incentivados a se tornarem “chefes”, a dirigir empresas ou entidades. As mulheres da minha geração não foram ensinadas a serem protagonistas e líderes. Essa geração já é diferente, mas as barreiras culturais e sociais ainda existem e, certamente, uma iniciativa como o Programa Mulher, que incentiva a formação de lideranças femininas, é de suma importância, principalmente para promover a equidade de funções, de salários e de respeito.

2)    Site: Qual a importância de trabalhar essa equidade de gênero, principalmente no Sistema Confea/Crea?

Vânia Mello –
 Desde a criação do Crea-MS, em 1979, nenhuma mulher se candidatou ou foi presidente da entidade. Mesmo hoje, em 2020, dos sete membros da diretoria da entidade, apenas uma é do sexo feminino. Confesso que quando entrei para a disputa, essa questão não me ocorreu. Meu objetivo é fazer um Crea para todos os profissionais, mas, ao longo da disputa eleitoral, percebi o quão importante é a representatividade feminina. Ainda somos um país com uma totalidade masculina. O próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nas eleições, obrigou os partidos a terem entre seus candidatos uma quantidade mínima de mulheres concorrendo. Infelizmente, o Brasil é um dos piores países em termos de representatividade política feminina, ocupando o terceiro lugar na América Latina em termos de representatividade feminina. Enquanto a média mundial da presença de mulheres em cargos de liderança política é de 24% a 25%, a Câmara Federal brasileira tem 15%. Quando temos equidade de gênero entre os Poderes, isso inclui o Sistema também, temos essa equiparidade entre os profissionais e também com a sociedade.

3)    Site do Confea:  Neste triênio à frente do Crea, quais os principais desafios já mapeados que demandam esforço e atuação? Eles constam da agenda de prioridades, como serão tratados e quais resultados positivos irão gerar?

Vânia Mello 
– Durante toda a campanha, bati muito forte em comunicação com a sociedade. Por mais que o Crea seja um órgão fiscalizador, ele pode sim promover a valorização profissional. Quando a fiscalização é feita de forma isenta e correta, aquele profissional que trabalha dentro das normas é valorizado. O que acontece é que nem sempre ele reconhece essa ação da entidade, só vê o Conselho como um órgão que pune e cobra. Reconhecer essa atuação da entidade é mais que falar aos profissionais, é preciso levar essa informação para a sociedade. Dessa forma, o Crea precisa melhorar sua comunicação, informar melhor a sociedade e mostrar os benefícios e a segurança garantidas pela boa atuação do Conselho. A sociedade ganha com um Crea forte, mas nem sempre conhece ou sabe da atuação e da importância da entidade e, os profissionais das engenharias, agronomia e geociências, que atuam de forma coerente, serão valorizados. Esse é o nosso maior desafio.
Outro projeto é incentivar a formação de novas lideranças por meio do Crea Jovem, um projeto que já existia, mas que ficou esquecido. Formar lideranças que possam atuar na entidade e em outros campos é imprescindível para fortalecer a entidade.


4)    Site do Confea:  A senhora acredita que o Sistema Confea/Crea e Mútua demanda uma readequação de seus procedimentos? Por quê? Se sim, qual tipo de reestruturação é necessária e como a sua gestão irá atuar neste sentido?

Vânia Mello 
– Precisamos e muito de mudanças. Mudanças urgentes. Somos um sistema tecnológico e, diante da pandemia, não conseguimos realizar a eleição pela internet. Outra questão é a morosidade nas ações frente aos outros conselhos profissionais que sombreiam nossas atribuições. Buscaremos ao Confea essa mudança. 


5)    Site do Confea:  Acredita que a integração dos Creas dentro da região geográfica e de forma nacional é importante? Se sim, quais caminhos possíveis, dos pontos de vista institucional e político? Quais vantagens esse movimento pode gerar para o Sistema e para os profissionais do setor?

Vânia Mello
 – As políticas e ações que vêm sendo realizadas pelo Confea atendem com muita eficiência essas questões, tanto do ponto de vista institucional quanto político. A integração dos Creas gera troca de informações, o que dá certo em uma região pode ser a solução de um problema da outra. Essa interação entre regionais traz grandes benefícios aos profissionais.

6)     Site do Confea:  Muito se fala na responsabilidade e habilidades dos profissionais registrados no Sistema Confea/Crea como contribuições diretas para o desenvolvimento do Brasil e para a implantação de políticas públicas que levem à retomada do crescimento nacional. Qual a opinião da senhora sobre essa viabilidade?

Vânia Mello –
 Não é novidade que os profissionais das engenharias são lideranças em grandes empresas, inclusive em áreas completamente diferentes da sua área de atuação. A formação focada na solução de problemas, habilidades analíticas e métodos estruturais de pensamento talvez sejam a resposta. Não sei se esse profissional consegue entender a importância dessas habilidades para a retomada do crescimento nacional. O profissional das engenharias e agronomia sabe integrar mão de obra, equipamentos e matérias-primas, gerencia recursos humanos, financeiros e materiais em sua rotina de trabalho. Isso já é intrínseco a eles e, se fizermos uma análise, para o Brasil retomar seu crescimento, é preciso gerenciar todas essas atribuições que compõem o trabalho desses profissionais.

No decorrer dos próximos dias serão divulgadas as entrevistas com todos os presidentes de Creas. 

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Fernanda Pimentel
Equipe de Comunicação do Confea com colaboração do Crea-MS