Entrevista – Pesquisa, novas tecnologias e a contribuição do Engenheiro Agrônomo para o aumento sustentável da produção

terça-feira, 10 de outubro de 2017

“Cresci ouvindo que o Brasil é o celeiro do mundo. Nesse processo complexo de produção, que vai do preparo do solo até o produto sendo consumido na mesa do cidadão, o Engenheiro Agrônomo é peça fundamental”, assim pensa o pesquisador e professor Dr. Harley Nonato de Oliveira.

Mineiro de Lavras, onde também cursou Agronomia (1993), o engenheiro agrônomo veio para Dourados (MS) em 2008 para assumir a vaga de pesquisador na Embrapa Agropecuária Oeste, onde hoje também é Chefe Adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento.

IMG_5947 (1)

Eng. Agrônomo Harley Nonato de Oliveira

Na entrevista abaixo, realizada para comemorar o Dia do Engenheiro Agrônomo, o pesquisador fala sobre sua escolha pela profissão, sua trajetória na carreira de pesquisador e ainda sobre o avanço da pesquisa agropecuária.

Há quanto tempo está em MS, mais especificamente na Embrapa?
Vim para o MS para trabalhar na Embrapa e estou aqui desde junho de 2008. Sou pesquisador na área de controle biológico e atualmente respondo pela Chefia Adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agropecuária Oeste, de Dourados MS.

Como foi sua opção pela Agronomia?
Creio que quando optamos ou mesmo decidimos seguir um caminho, isso com certeza passa pela inspiração. A Agronomia foi meu caminho inspirado no entusiasmo e dedicação do meu irmão mais velho, que inclusive esse ano completou a significativa marca de 40 anos de formado.

Fiz o mestrado em Entomologia pela Universidade Federal de Viçosa e Doutorado, modalidade sanduíche em Entomologia pela Universidade Federal de Viçosa e Universidade de Gent/Bélgica, mas sempre com ênfase em controle biológico de insetos.

Como foi sua trajetória na área de pesquisa e desenvolvimento?
Ao finalizar o Doutorado, iniciei minhas atividades relacionadas à pesquisa utilizando o conhecimento adquirido na pós-graduação. Inicialmente, fui bolsista do CNPq na modalidade de Recém-Doutor e, no ano seguinte, passei a atuar como pesquisador do Programa Especial de Estímulo a Fixação de Doutores – PROFIX/CNPq. Esse Programa foi muito importante, pois me proporcionou a oportunidade de ser o gestor de um projeto de pesquisa, de interagir com pesquisadores e instituições de pesquisa, especialmente as internacionais, pois havia apoio para participação em eventos científico-tecnológicos internacionais no programa e com certeza para o enriquecimento da minha formação. As atividades de pesquisa nessas duas oportunidades foram desenvolvidas junto à Universidade Federal do Espírito Santo.

De 2005 a 2008, estive afastado da pesquisa e desenvolvimento, atuando junto ao processo de produção em uma empresa florestal. No entanto, vislumbrei com a abertura de concurso da Embrapa, a grande oportunidade de retornar às atividades de pesquisa e, assim, junto com os demais colegas da empresa a contribuir na busca de soluções de gargalos para esse importante pilar da economia do nosso país, que é a agricultura.

Como avalia a contribuição dos Engenheiros Agrônomos no desenvolvimento de novas tecnologias e também na qualidade de vida das pessoas?

Desde pequeno ouço a frase: ”O Brasil é o celeiro do mundo”, temos de encarar que somos um país que tem como missão garantir essa segurança alimentar. Nesse processo complexo de produção, que vai desde o preparo do solo até o produto sendo consumido na mesa do cidadão, o Engenheiro Agrônomo é peça fundamental, atuando para dentro e fora da porteira, desenvolvendo e auxiliando na busca de tecnologias, nas mais diversas áreas, que objetivam aumento sustentável da produção. Para se chegar a esses incrementos, esse profissional que pode estar atuando como produtor, assistência técnica e pesquisador, deve estar em constante diálogo, procurando identificar os gargalos, buscando soluções e repassando as tecnologias, garantindo assim intensificação sustentável da produção e o aumento da produtividade com segurança e qualidade.

São inúmeros os clientes. As tecnologias devem atender as demandas do setor de commodities e de pequenos produtores, tais como os assentados e as populações indígenas. Ressalto que, além da produção de alimentos, deve-se focar na eficiência do uso dos recursos naturais, como por exemplo, em tecnologias poupadoras de água.

Um das grandes contribuições que podemos apontar, foi em relação à produtividade da soja, que saltou de 2.270 kg/ha em 1990/1991 para 3.400 kg/ha na safra 2016/2017.

Qual a importância de uma pós-graduação na formação de um pesquisador?
Atuo junto à Universidade Federal da Grande Dourados, no Programa de Pós-Graduação em Entomologia e Conservação da Biodiversidade, na orientação de Mestrado e Doutorado.

Muito mais que a especialidade na área, a oportunidade que temos quando fazemos uma pós, deve estar concentrada no conhecimento adquirido, no senso crítico, na capacidade de identificar demandas e de buscar respostas paras as mesmas, de buscar ter a visão do todo, pois fazemos parte de um sistema cada vez mais integrado. Essa é a grande mensagem que tentamos passar enquanto orientador.

Como avalia o mercado de trabalho na área da pesquisa?
Para aqueles profissionais com boa formação profissional, o mercado oferece muitas oportunidades. A atividade agropecuária passa por um processo de modernização muito intenso. Oportunidades não convencionais são muitas, inclusive sem vínculo empregatício.
Importante destacar que o conhecimento, senso crítico e poder de observação do ambiente, podem levar o profissional a identificar oportunidades de trabalho na área da pesquisa, nas mais diferentes instituições públicas, privadas e mesmo em iniciativas empreendedoras que visem a melhoria de algum processo específico na produção de alimentos.

Sempre há um novo desafio e, assim, surgem oportunidades de trabalho.

E os investimentos em pesquisas no país? Como avalia?

Um dos melhores exemplos de retorno de investimento em pesquisa, se dá no sucesso que a agricultura brasileira obteve nos últimos anos.

Para atingir uma agricultura cada vez mais moderna e que propicie incrementos cada vez mais sustentáveis de produção são necessárias estratégias pautadas em avanços de conhecimento e tecnológicos, o que passa pela pesquisa agropecuária.

Momentaneamente, o setor público possui restrições, mas devemos buscar fontes alternativas, vislumbrar novas oportunidades para investimentos, convencer novos parceiros que somente com a pesquisa podemos alcançar novos ganhos. É preciso fortalecimento e aproximação do setor público com o setor privado.