Aurea Carreteiro: mulher na Engenheira e no Exército

quinta-feira, 8 de março de 2018

Houve um tempo em que, inevitavelmente, pensar na Engenharia e no Exército era remeter-se à figura masculina.  A preferência das mulheres pelas carreiras não é unanimidade, mas já é possível encontrá-las com maior frequência, tanto na Engenharia como na carreira militar.aurea carreteiro

Na Engenharia brasileira, as mulheres são pouco mais de 15% e nas Forças Armadas, segundo dados do Ministério da Defesa,  pouco mais de 6%. Mais exatamente no Exército, elas são 9,1 mil. Isentas do serviço militar obrigatório, as mulheres têm a opção de servir voluntariamente como militares de carreira ou temporária.

Foi o que fez a engenheira civil Aurea Helena Carreteiro, de 31 anos, por duas vezes: na primeira, enquanto ainda estava na faculdade, foi sargento; passados alguns anos após concluir a faculdade, prestou concurso, em 2016, para engenheira e foi aprovada em primeiro lugar. Desde então, a farda, o coturno, o coque e a discreta maquiagem são companheiras diárias da engenheira na Comissão de Obra do 3º Grupamento de Engenharia, em Campo Grande.

Nascida em Auriflama, no interior de São Paulo, Áurea diz que nunca vislumbrou a engenharia como carreira. A opção pela profissão teve influência de uma antiga chefe na Águas Guariroba, cuja inteligência e amabilidade foram decisivas para que a jovem seguisse carreira na Engenharia.

Como foi sua escolha pela Engenharia Civil?
Aurea Carreteiro
– Eu costumo dizer, brincando, que foi a Engenharia me escolheu. Tinha planejado vir para Campo Grande para cursar Engenharia Ambiental, mas naquele momento não teria condições financeiras, eu teria de trabalhar. Fiz um curso técnico na área  e, assim comecei a trabalhar na Águas Guariroba, onde me apaixonei pela Engenharia.

Durante a faculdade, qual era a proporção de homens e mulheres?
AC –
A proporção era de mais ou menos 15% no começo da turma. O diferencial é que, praticamente  todas as mulheres chegaram ao fim e se formaram.

Você tem alguma referência que tenha servido de inspiração?
AC – 
Minha antiga chefe da Águas Guariroba, engenheira Conceição Enéas de Almeida. Inteligente, maravilhosa, ainda não conheci nenhuma pessoa como ela, ótima chefe, entendia do assunto como ninguém. Tê-la como chefe naquele momento foi crucial, até para minha escolha pela engenharia como profissão.WhatsApp Image 2018-03-07 at 10.24.35

Qual a sua avaliação sobre a participação de mulheres na engenharia?
AC – 
Positiva, pois a cada dia estão ocupando mais espaço no mercado, agregando uma visão diferenciada e abrangente sobre uma área que até então era dominada pelos homens.

Como é trabalhar numa instituição cuja maioria é de pessoas do sexo masculino?
AC – 
Sou 2º tenente e sirvo na Comissão de Obra do 3º Grupamento de Engenharia, temos obras em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, trabalho na fiscalização de obras. Várias mulheres integram o quadro de engenheiros e exercem exatamente a mesma função que os homens. Isso inclui as atividades estritamente militares, sendo elas os testes físicos e aptidão de tiro.

Como avalia a luta das mulheres pela valorização e igualdade de direitos?
 AC –  – É importante, visto que as mulheres possuem competência e sensibilidade para exercer as mesmas atividades que antes que eram tidas como especificamente masculinas.