Parabéns Mato Grosso do Sul: a fábrica é nossa

Em abril de 2006, quando ainda era conselheiro, o Plenário do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Mato Grosso do Sul (Crea-MS) criou um Grupo de Trabalho (GT), coordenado por mim, que discutiu e apontou caminhos baseados em quesitos técnicos sobre uma disputa que acabava de surgir: qual dos Mato Grossos seria o mais apropriado a receber a usina de fertilizantes da Petrobras? Na época, realizamos inúmeras reuniões com órgãos públicos – MSGás e a Petrobras, entre outros - e com profissionais, ocasiões em que já afirmávamos que, apesar de toda a mobilização do vizinho Mato Grosso, Mato Grosso do Sul era quem possuía pontos tecnicamente favoráveis para receber a fábrica, viabilizados principalmente, pela logística de transporte e pelo gasoduto.

Passados alguns anos, recebemos a notícia de que em breve, Mato Grosso do Sul receberá a usina para a produção de uréia e amônia, matérias primas para a produção de fertilizantes. A nova fábrica, conforme afirmou o Ministro da Agricultura Reinhold Stephanes, ainda precisará ser aprovada pelo Conselho de Administração de Petrobras, contudo será uma das mais adiantadas e em breve deve estar em pleno funcionamento. A unidade terá capacidade para produzir 1 milhão de toneladas e terá custo de cerca de R$3,4 bilhões. O Brasil importa 71% dos fertilizantes que precisa e com esse e mais outros dois projetos, a Petrobras sinaliza para a autosuficiência, já que temos jazidas – ainda não exploradas - suficientes para suprir a demanda interna. A diminuição da dependência externa do Brasil torna-nos vulneráveis e sujeitos a uma grande flutuação dos preços.

Hoje, há quase 4 anos depois de ter início o movimento que discutiu de forma técnico-científica a questão, temos uma grande oportunidade de consolidar o desenvolvimento que está batendo a nossa porta. A vitória de Mato Grosso do Sul talvez não fosse possível, caso não houvesse a ação pró-ativa do poder público. Acreditamos que as iniciativas e decisões governamentais jamais devem dissociar-se dos conhecimentos técnicos oferecidos por instituições detentoras dessas informações. Dados divulgados pela Federação das Indústrias apontam o crescimento do PIB industrial do Estado em 79,2%, considerando os anos de 1995 a 2007. A diversificação da base econômica é uma questão que envolve diretamente as engenharias, onde se encontram as principais fontes de conhecimentos técnico-científicos e mão de obra. Criamos, neste início da retomada da aceleração do crescimento, oportunidades para investirmos em novos valores profissionais, enquanto aguardamos a concretização da demanda que já nos bate à porta. Mais uma vez é chegado o momento das engenharias, do investimento em educação e em mão de obra.

Parabéns Mato Grosso do Sul. Esta foi mais uma merecida vitória e que certamente será concretizada pelas mãos da engenharia brasileira.

Engenheiro Jary de Carvalho e Castro
Presidente do CREA-MS